Julgamento de ativistas do Greenpeace começa com farsa de acusação
Tóquio, 15 de fevereiro de 2010 – Começou hoje o julgamento de dois ativistas do Greenpeace no Japão que expuseram o tráfico ilegal de carne de baleia. Eles foram ouvidos na corte e se declaram inocentes das acusações feitas pelo governo japonês.
Em maio de 2008, Junichi Sato e Toru Suzuki, conhecidos como “Tokyo Two”, interceptaram uma caixa de carne de baleia e apresentaram ao Ministério Público japonês como prova do contrabando com fins comerciais promovido por quem afirma estar fazendo “pesquisa científica”. Foi aberta uma investigação sobre a possível corrupção envolvendo o programa de caça subsidiado pelo governo japonês, mas a investigação foi interrompida logo depois.
No mesmo dia Junichi e Toru foram presos e o escritório do Greenpeace Japão, revistado. Se condenados ambos podem pegar até dez anos de prisão.
Hoje, logo em seu primeiro dia, ficou claro que o julgamento é uma tentativa de manter a mentira em torno da caça ilegal de baleia praticada pela indústria pesqueira japonesa. A acusação esforçava-se para justificar seus argumentos, que de tão fracos levavam às próprias testemunhas a concordarem com a linha de defesa dos ativistas. O julgamento foi suspenso e será retomado em março.
A Organização das Nações Unidas pelos Direitos Humanos afirma que o governo japonês infringiu uma série de leis internacionais de direitos humanos ao manter detidos os dois ativistas do Greenpeace. Sato e Suzuki “agiram considerando que suas ações eram de interesse público, já que diziam respeito a crimes com valores dos contribuintes japoneses”.
“A decisão de se dedicar a esse processo político foi feita pelo governo japonês anterior. A nova administração pode remediar a vergonha do presente parecer, garantindo que o processo agora será justo, de acordo com padrões legais internacionais”, afirma Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace Internacional.
Desde a prisão, em junho de 2008, mais de 250 mil pessoas assinaram uma petição cobrando justiça para Junichi e Toru. Grupos de direitos humanos como a Anistia Internacional questionaram a legitimidade do processo.
Mais informações:
Cristina Amorim – 11 8361-0169
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