Yvo de Boer pede demissão

Em um momento em que, após o fracasso da cúpula de Copenhague, as esperanças de um acordo climático estão postas na reunião de Cancún, Yvo de Boer, chefe climático da ONU, anunciou sua saída. A partir de julho ele trabalhará como assessor para a empresa de consultoria alemã KPMG e para algumas universidades.
“Foi uma decisão difícil, mas acho que chegou o momento de assumir um novo desafio, trabalhando com assuntos ligados ao clima e à sustentabilidade no setor privado e acadêmico”, explicou por meio de um comunicado.
Em sua carta de despedida, de Boer rebate as críticas ao processo de negociações de Copenhague ressaltando que, embora não se tenha conseguido na COP15 um compromisso vinculativo, houve uma clara aposta política para um mundo com poucas emissões.
“Copenhague não nos deu um claro acordo em termos legais, mas o compromisso político de buscar um mundo de baixas emissões é irreversível. Isso exige novas cooperações com o setor empresarial e eu devo ajudar nisso”, acrescentou.
No entanto, é praticamente impossível não associar sua saída ao fracasso da COP15. De Boer tinha apostado em um acordo ambicioso. Conseguiu apenas sucessos pontuais.
COP 16
O fato de que restam apenas cinco meses para dar impulso final às negociações sobre o clima não aumenta precisamente as expectativas para Cancún.
Antes mesmo do início das conversações, a cúpula já tem poucas promessas de êxito. O próprio de Boer recentemente previu poucas chances de um tratado vinculativo.
Ainda assim, o secretário-executivo prometeu que, até abandonar o cargo, continuará com os preparativos para a próxima reunião climática, que será no México, em novembro.
Por Leticia Freire, do Mercado Ético

Fonte: www.envolverde.com.br




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