O lixo nosso de cada dia
O lixo que foi enviado pelos ingleses para o Brasil gerou muita indignação, e como dizem por aí, que é rindo que se castiga mais, publicamos a crônica abaixo. Confira.
Por: Orlando Muniz, crônista de Brasília, que lançará dia 12 de agosto seu novo livro Máscara das Palavras.
O lixo nosso de cada dia
De repente vejo de relance uma matéria que se repete na televisão há algum tempo. A princípio não tinha dado muita importância ao tema, talvez em razão do apelo nada convidativo das imagens que me atingia bem na hora do almoço. Eram dezenas de containers lotados até a tampa com lixo vazando por todos os lados. Até aí, nada demais.
O jornalista discorria acerca daquele assunto e ouvia muita gente dando palpites sobre as mazelas do nosso dia-a-dia. Só que com um olhar mais atento, comecei a perceber que o azedume a que o agoniado repórter se referia era lixo de primeiro mundo. Nesse kit de tralhas e porcarias notavam-se fraldas descartáveis — cheias de coisinhas feitas por bebês de primeiro mundo, provavelmente com um mau cheiro só sentido nos países de último mundo. Havia também seringas e agulhas usadas; tampas de sanitários; bacias inglesas furadas e um arsenal de vidros secos de xampus e outras embalagens de segunda categoria.
Somente depois desse quadro feio e mal cheiroso, é que pude começar a perceber de que lixo se tratava a bendita matéria. Finalmente, havíamos ingressado definitivamente no restrito clube dos países desenvolvidos, talvez até com cadeira cativa no G-8. Pena que essa entrada estava se dando pela porta dos fundos. A globalização do lixo mundial nos colocava na rota do tráfico de tralhas e fraldas sujas. Que coisa feia! Pensava eu ainda aturdido com tamanha bandalha.
A matéria prosseguia, e no meio da montanha de containers e suas cargas indesejadas, começavam as desculpas para os indesculpáveis constrangimentos por sermos pegos com as calças nas mãos nos principais portos brasileiros. Dá pra imaginar o que não tem entrado por debaixo dos panos? Se uma carga com odor insuportável chega de forma quase amigável em Santos e Paranaguá, o que não dizer dos sempre bem embalados artefatos bélicos, tão utilizados nas principais cidades brasileiras pela turma da escumalha.
Soube-se enfim que toda aquela tranqueira de lixo tinha vindo da Inglaterra. Ah bom! — pensei eu novamente. — Então devia ter também alguns saquinhos de chá de primeira ou, talvez, garrafas secas de um bom scotch. O que não mudaria o cenário em nada, pois se tratava de lixo contaminado, sem serventia alguma, a não ser para nos remeter à triste lembrança de que nós, tal como os ingleses, não sabemos tratar o nosso lixo de cada dia. Pensei melhor e, sem o sentimento de vira-latas que Nelson Rodrigues tão bem colou em nossas testas, passei a ver que, lixo por lixo, é melhor ficarmos com o chorume que contamina os rios e a água de beber e que se avoluma às nossas vistas em aterros e lixões a céu aberto por todos os lugares. Caí na real, finalmente!
Esse assunto não pode ser tratado na galhofa. É coisa séria e precisa ser repudiado na mesma medida, de preferência com censura pública e nos ambientes apropriados pela diplomacia. E se não funcionar, sugiro que enchamos alguns navios de lixo brasileiro e despachemos com endereço certo: a ante-sala da Rainha. Talvez a proposta seja descabida e sem o refino cavalheiresco apreciado pela corte. Infelizmente o que vem de lá também não tem nada de sóbrio. Se vamos ou não reagir na mesma moeda é outro conversa e a resposta deixo a critério da criatividade de cada um em colocar seu quinhão pessoal nessa operação de recuperação da auto-estima nacional.
Que me desculpe a ilustre Rainha, mas respeito é fundamental!
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Comentários
Congratulations for that wonderful article. This problem deserve all attention aroud the world because garbage is always garbage.
eu acho que esse artigo é muit legal por que concientiza as pessoas a jorgarem o lixo no lixo e tambem falam sobre muitos problemas que isso faz na sociedade como enchentes alagamentos e ooutras coisa eu acho que as pessoas não podem reclamar quando ha uma enchente na rua se essa pessoa joga lixo na rua por que o bueiro foi feito para passar agua e nçao para passar lixo garrafa pet e nem outras coias então é isso que as pessoal qeu lerem isso tomen juizo e parem de jogar lixo na rua. xau muito obrigado pela oportunudade de eu colocar a minha opinião

É, isso já se poderia imaginar que iria acontecer, os paises EUROPEUS POLUIEM SEM o MENOR CONSTRANGIMENTO, aumentam suas produções mas não param de poluir e produzir lixo, em algum lugar eles tem que enfiar isso, em baixo do tapete não cabe mais, vamos mandar para os Paises subdesenvlvidos, paises emergentes, eles tem coletas seletivas e reaproveitamento de lixo, quem sabe poderemos até enviar para um aterro sanitario FRANÇES que existe no Brasil, para combater a emissão de gases toxicos, e poderemos até como fazem os FRANÇESES VENDER CREDITO DE CARBONO. Mas um anjo da guarda brasileiro descobriu e o lixo se foi. NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA EM NENHUM OUTRO LUGAR.