Minc anuncia mudanças na administração de parques nacionais

BRASÍLIA – Os parques nacionais brasileiros são lindos, mas pouco protegidos, pouco usufruídos e dão prejuízo. “Queremos que continuem lindos e que sejam mais protegidos, mais usufruídos e dêem lucro”, disse ao Estado o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao anunciar a decisão do governo de mudar radicalmente a forma de cuidar dos parques, com a privatização dos serviços de hotelaria, transporte, alimentação, venda de souvenirs, manutenção, cobrança de ingressos e estacionamentos em 25 parques nacionais. A administração continuará a cargo do Instituto Chico Mendes.

As licitações para sete parques foram consideradas prioridade. A primeira, para o Parque Nacional de Abrolhos, na costa da Bahia – um santuário natural, próprio para a reprodução de tartarugas marinhas e observação de baleias – deverá estar pronta em outubro. Os outros parques da lista dos primeiros são o de Fernando de Noronha, na costa de Pernambuco; da Tijuca, onde fica o Cristo Redentor, no Rio de janeiro; Agulhas Negras, no Rio, onde está o Pico de Agulhas Negras e o Lago Azul; Serra dos Órgãos, no Rio; Caparaó, em Minas Gerais e Espírito Santo; e Bocaina, no Rio, São Paulo e Minas.

O plano de concessão dos serviços nos parques nacionais será lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 13, durante visita a Petrópolis e Terezópolis. A intenção, de acordo com o ministro Carlos Minc, é acabar com a tradição de transformar os parques nacionais em fortaleza, em que ninguém pode entrar. “Guardadas as exigências do plano de manejo de cada um, queremos abri-los para o público, para a prática de trilhas, ciclismo, banho de cachoeira, observação de pássaros e de baleias, entre outras dezenas de atividades”, disse Minc.

Nos Estados Unidos, a freqüência anual nos parques nacionais é de 192 milhões de pessoas; no Brasil, de 3,5 milhões. E 90% das visitas ocorrem nos parques do Iguaçu, onde estão as Cataratas, e na Tijuca, por causa do Cristo Redentor. “Tem muita coisa errada. Nossos parques são muito mais bonitos do que os dos Estados Unidos”, afirmou Minc. Ele disse que o governo, ao optar pela concessão dos serviços dos parques, baseou-se nos modelos adotados nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina e Chile, onde muito mais pessoas visitam os parques. Os serviços no Parque do Iguaçu já estão com a iniciativa privada.

Outro fator que prejudica os parques nacionais brasileiros é a completa falta de infra-estrutura, que agora, com a concessão ao serviço privado, o governo espera corrigir. Verificou-se, por exemplo, que quase não têm plano de manejo, a visitação é precária, as condições das estradas para muitos são muito ruins e que funcionários concursados acabam sendo um estorvo em serviços como o de cobrança de ingressos, por se sentirem pouco prestigiados.

Até 2010, o governo pretende concluir o pregão para a concessão dos serviços de outros 18 parques nacionais. Entre eles, Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Guimarães (MT), Chapada dos Veadeiros (GO), Lençóis Maranhenses, Pantanal MT e MS), Serra da Canastra (MG), Serra da Capivara (PI), Sete Cidades (PI) e Ubajara (CE).

Nos estudos feitos pelos Ministérios do Meio Ambiente e do Turismo, foi concluído que a visitação de pessoas aos parques nacionais é uma poderosa ferramenta para sensibilizar a sociedade sobre a importância da conservação de áreas e processos naturais. O contato direto leva o visitante a adotar diferentes condutas e posturas pessoais e políticas favoráveis à proteção do meio ambiente.

Fonte: O Estado de São Paulo
Por: João Domingos




Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Achei ótima todo esse projeto!!! Estão de parabens todas pessoas envolvidas!
Pois moro na borda do parque nacianal da bocaina e vajo o drama desse povo que residem dentro e nas bordas desse parque. O ibama ao invés de concientzar, de ser amigo, enssinar, eles a amar o parque explorando de turiticamente de forma sustentavel eles tartan totos como bandidos e amedrontan-os criando uma barreira entre as duas partes e assim quem mais sofre é o nosso parque que é destruido para sobreveincia desses moradores que não formação nenhuma nem tarbalho para sobrevirem!!!!
O orgãos responsáveis tem que ajudar essas pessoas e o nosso parque fazendo deles bons amigos e depente um do outro, assim vão se cuidar mutamente!

Aqui em Foz do Iguaçu está o Parque Nacional do Iguaçu que serviu de coabia para a privatização dos serviços de transporte, hospedagem e turismo (recreação,visitação). Desde 2000 a comunidade local vem perdendo terreno. Está faltando comentários e previsões sobre o que pode acontecer com as comunidades locais de futuros parques especialmente os oceânicos. O que significará privatizar e conceder o transporte nas ilhas? Falta análise das conseqüêcias.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)