Instituto Butantan apresenta rica fauna de serpentes em Cerrado paulista

            O pesquisador do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Ricardo J. Sawaya, em parceria com pesquisadores do próprio Instituto e da Universidade de São Paulo (USP), estudou por cerca de quatro anos as serpentes de um fragmento de Cerrado no interior de São Paulo e apresenta dados detalhados sobre a história natural e fotografias em cores das espécies que podem ser encontradas na região.

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil e foi incluído entre os 25 hotspots globais de biodiversidade. No estado de São Paulo restam menos de 2% de sua vegetação original. Praticamente nenhum estudo detalhado sobre serpentes do Cerrado havia sido realizado nesta região.

A região de Itirapina apresenta um dos últimos remanescentes bem preservados de Cerrado aberto no estado de São Paulo. O objetivo neste trabalho foi o estudo da história natural e composição das serpentes de Cerrado da região de Itirapina. Foi realizada uma amostragem de campo extensiva na Estação Ecológica de Itirapina e áreas alteradas de Cerrado nas proximidades (municípios de Itirapina e Brotas), em 101 viagens durante 43 meses, entre setembro de 1998 e março de 2002, de amostragem de campo.

Também foram coletados dados adicionais a partir de espécimes de coleções científicas. Foram apresentados dados sobre tamanho, uso do ambiente e substrato, atividade diária e sazonal, dieta, reprodução e defesa. O trabalho possibilitou a comparação de espécies entre outros tipos de bioma, incluindo a Amazônia, Floresta Atlântica e outras formações abertas. Foram registradas na região de Itirapina 36 espécies de serpentes entre 755 indivíduos encontrados no campo e seis registros de coleções científicas e literatura, pertencentes a 25 gêneros de cinco famílias.

Apesar de limitada a um pequeno fragmento (cerca de 2.300 ha), a Estação Ecológica de Itirapina apresenta fisionomias conservadas e representativas de Cerrado, que abrigam uma fauna de serpentes rica e típica do bioma. A ocorrência de algumas espécies apenas no interior da reserva também indica que a estação é de importância fundamental para a manutenção da biodiversidade. O trabalho foi publicado em julho na revista Biota Neotropica, com versões disponíveis em português e inglês.

 

Mais informações:

Assessoria de Comunicação Social do Instituto Butantan

Tel: 3726-7222 – ramais 2063 / 2264 / 2326

www.butantan.gov.br

 

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