Falta de programas de preservação faz com que países gastem milhões para recuperar áreas úmidas


22/07/2008

A relação entre áreas úmidas e o aquecimento global é um dos temas mais discutidos entre os pesquisadores que participam da 8ª edição da Intecol, a Conferência Internacional de Áreas Úmidas, que está sendo realizada em Cuiabá, Mato Grosso.  “Industrialização, crescimento desordenado das cidades e desmatamento são fatores que contribuem para a destruição de áreas úmidas e a aceleração das mudanças climáticas. Estamos discutindo o efeito dessa dinâmica no mundo inteiro e analisando alternativas de conservação e recuperação”, explicou Paulo Teixeira de Sousa Jr., secretário-executivo do Centro de Pesquisas do Pantanal, entidade que está organizando o evento em parceria com a Associação Internacional de Ecologia, a Universidade Federal de Mato Grosso, e com a co-promoção do SESC Pantanal, Banco do Brasil e Governo do Estado.

Em muitos países, o preço do desenvolvimento foi o desaparecimento de uma grande extensão de áreas úmidas. O resultado se traduziu em alterações climáticas e grandes prejuízos econômicos.  Nos Estados Unidos, por exemplo, aumentaram as cheias ao longo do rio Mississipi.   Na China, segundo o pesquisador Shuqung An, o governo já teve que fazer investimentos de cerca de US$ 400 milhões para recuperar este tipo de bioma. “A drenagem, o grande uso de sistemas de irrigação na agricultura e o abuso dos recursos naturais fez com que chegássemos a uma situação difícil.  A temperatura aumentou cerca de 2 graus centígrados enquanto o regime de chuvas mudou. Houve uma redução de cerca de 30 mm a 40 mm no volume anual de precipitação”, disse Shuqung.  Ele diz que além de trabalhar em programas de recuperação, a grande preocupação dos pesquisadores é transferir essa tecnologia para países em desenvolvimento. “Queremos evitar que isso se repita em outros lugares”, explica.

“Muitos não sabem, mas as áreas úmidas prestam o que chamamos de ‘serviços ecológicos’.  Ajudam a regular o clima, redistribuem a água no lençol freático, regularizam o solo e estocam carbono, entre outras coisas. Na antiga União Soviética, a política de drenagem de áreas úmidas provocou grandes estragos. A situação está melhorando mais ainda precisamos de maior conscientização para não perdermos mais áreas”, alertou Richard Robarts, que apresentou um painel sobre as perspectivas ambientais para as áreas úmidas da Rússia.

O pesquisador Basia Meerburg veio ao evento para apresentar um sistema de construção de áreas úmidas que está sendo desenvolvido na Holanda. “Lá, a diminuição de áreas úmidas também aumentou  o risco de grandes enchentes. Além disso, temos um problema em relação à qualidade da água e como estes ecossistemas fazem o papel de filtro, áreas úmidas artificiais podem ser valiosas”, afirmou.  O projeto utiliza áreas de 3 hectares, que são inundadas e começam a desenvolver vegetação. Para garantir a viabilidade econômica, a proposta é que seja plantada cana no local, o que garantiria, no futuro, a produção de biocombustíveis. “Há muitas variáveis envolvidas, mas nossa idéia é que tenhamos um lugar para promover a limpeza e a redistribuição de água no lençol freático e ainda conseguir uma cultura sustentável para agricultores”, afirmou Meerburg.

Fonte: Intecol / Studio Press

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