Minc quer empresários na luta contra desmatamento
Ministro também disse que pretende promover acordos com exportadores para impedir devastação.
SÃO PAULO - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pediu ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que assine um acordo de cooperação para garantir que os produtos derivados da floresta amazônica usados pela indústria tenham origem legal. “Não se acaba com o desmatamento colocando um policial atrás de cada desmatador”, argumentou Minc. “Você precisa criar condições dignas para os envolvidos nas cadeias produtivas”, afirmou se referindo à necessidade de profissionalizar e regularizar os processos extrativistas.
Em cerca de dois meses, os empresários que trabalham com produtos provenientes da Amazônia terão que apresentar ao Ministério do Meio Ambiente suas listas de fornecedores. O anúncio foi feito hoje pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). As notificações às empresas que trabalham com produtos provenientes da região começam a ser enviadas no dia 15 e companhias terão 60 dias para atender as exigências.
A medida, disse Minc, está prevista em lei de 2003 e co-responsabiliza as empresas por crimes ambientais eventualmente cometidos por seus fornecedores. “Vamos dar prazo para o cumprimento desta lei e começar nova etapa na fiscalização dessas cadeias produtivas.”
Minc anunciou que no dia 17 será assinado um acordo com exportadores de óleo vegetais, que se comprometem a não exportar o produto proveniente de plantios em área de desmatamento na Amazônia. A idéia é que os setores de madeira e de frigoríficos também se comprometam a rejeitar produtos de origem ilegal. “As grandes empresas serão co-responsáveis pelos crimes ambientais de seus fornecedores”, afirmou Minc. “Queremos a indústria como um agente de legalidade.”
Licenciamento
O ministro informou que pretende aplicar para o Brasil a sistemática de licenciamento ambiental utilizada quando secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro. “Havia 15 mil licenças que não andavam. Criamos um mecanismo que nos permitiu ser ágeis, rigorosos e extremamente eficientes na defesa dos ecossistemas.” Minc disse que negava com rapidez o que era impossível do ponto de vista técnico e analisava, sob condições, o viável.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Por: Carolina Freitas
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