Vazamento de piche pode chegar ao Paranoá

Os brasilienses que comparecerem hoje à festa de comemoração dos oitos anos de criação do Parque Águas Claras sentirão um cheiro de petróleo que em nada lembra os odores da natureza. Trata-se do CM 30, espécie de piche usado no asfaltamento de ruas, que foi parar no leito do córrego que corta a área de preservação ambiental. A contaminação aconteceu ainda na tarde de quinta-feira e até o fim do dia de ontem, mais de 24 horas depois, nada havia sido feito para interrompê-la.

“A empresa já devia ter feito a contenção do produto. Essa era a primeira providência a ser tomada”, afirmou o gerente de Fiscalização Ambiental de Recursos Hídricos do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Juraci Luiz Mendonça. Responsável pelo vazamento de piche, a empresa de engenharia Froylan foi multada pelo Ibram em R$ 50 mil e terá de custear todo o trabalho de recuperação que será feito na área.

“Se o dano aumentar porque a contenção não foi feita, reveremos o valor da multa para mais”, avisou Juraci Luiz Mendonça.

Há manchas em pelo menos três partes do córrego. No ponto próximo à administração do parque, a água tem aparência de sólida por causa da grande concentração de CM 30. “Os peixes presentes na área terão dificuldade para captar oxigênio e os animais que beberem a água também poderão ser contaminados”, avisou Uirá Felipe Lourenço, biólogo do quadro técnico da Câmara Legislativa do DF, que esteve ontem no local para uma visita. “Dependendo do nível de concentração do produto, até o uso para banhos pode provocar problemas na saúde”, afirmou Uirá Felipe Lourenço.

Além do prejuízo ambiental já constatado, o temor é que a substância continue a se espalhar até chegar ao Lago Paranoá . O córrego Águas Claras é um dos tributários do Paranoá e, seguindo o curso dos rios, a mancha está a cerca de 15km do lago. A empresa Froylan responderá na Justiça por crime ambiental. A pena é de seis meses. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Vinicius Vidal Matos, a empresa ainda não providenciou a contenção do CM 30 porque foi orientada pela própria polícia a esperar que a perícia fosse feita. “Temos todo interesse de resolver o problema. Já procuramos, inclusive, uma empresa de consultoria ambiental”, afirmou Vinicius Vidal Matos.

Os peritos da Polícia Civil que prepararão o laudo criminal chegaram no local por volta das 16h. O documento servirá de prova no processo criminal e deve ficar pronto em 15 dias. O acidente aconteceu às 12h de quinta-feira, quando uma chuva forte carreou o piche que estava sendo aplicado em um trecho da Avenida Boulevard. “O tempo estava aberto, não imaginávamos que iria chover”, desculpou-se o engenheiro Vinicius Vidal Matos. A avenida está a cerca de 1km do parque e pelo menos 2,5 mil litros de CM 30 estavam sendo espalhado ali na hora da chuva. O piche escorreu pelas galerias de captação de água pluvial.

Fonte: Correio Braziliense
Por: Érica Montenegro em 26/04/2008

Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)