Guiana oferta floresta mediante financiamento
País quer fechar acordo com Reino Unido e diz que trato é importante mensagem climática para reunião de Bali
As mudanças climáticas causadas pelo homem são um perigo claro e presente. Lideranças das mais diversas partes do mundo se reunirão em Bali por duas semanas numa tentativa de fazer algo a respeito. E a convocação já foi feita para que os líderes mundiais tomem medidas severas para evitar a catástrofe.
Entra a Guiana. A antiga colônia britânica, ensanduichada entre a Venezuela e o Brasil, abriga menos de um milhão de pessoas e uma intacta floresta tropical de área maior que a da Inglaterra. Numa oferta dramática, o governo da Guiana afirmou que deseja entregar toda a sua floresta ao controle de um organismo internacional de liderança britânica em troca de um acordo bilateral com o Reino Unido que assegure ajuda para o desenvolvimento do empobrecido país e a assistência técnica necessária para que faça uma transição para uma economia verde.
O acordo representa a maior negociação já feita no mercado mundial de créditos de carbono. Pois oferece os vastos sorvedouros de CO2 de uma floresta intacta em troca de ajuda para o crescimento econômico de uma das mais empobrecidas nações da América do Sul.
Em seu escritório, na capital do país, Georgetown, o presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, afirma que a oferta é uma chance de os britânicos fazerem uma “compensação moral” e, ao mesmo tempo, estabelecerem sua liderança num dos maiores desafios mundiais do momento, o aquecimento global.
- Oferecemos a floresta contra o aquecimento global e, com a ajuda do Reino Unido, ela não precisará frustrar o desenvolvimento da Guiana.
‘Não sou mercenário’, diz o presidente
Jagdeo, de 43 anos, afirmou estar “procurando um parceiro” para trabalhar junto com ele nos termos precisos de um acordo que não comprometa a soberania do país.
- Somos um país com vontade política e uma grande floresta intacta - afirmou. - Eu não sou um mercenário, nem estou fazendo chantagem. Mas também não estou fazendo isso apenas porque sou um homem bom e quero salvar o planeta, eu preciso de ajuda.
Economista, Jagdeo afirmou ainda que não via perspectiva de um apoio a longo prazo dos britânicos e que, dessa forma, o governo do Reino Unido poderia ajudar, dando seu apoio a investimentos do setor privado por meio dos emergentes mercados de carbono.
- O mercado deveria, no fim das contas, compensar os países. Mas, na ausência disso, essa é a melhor proposta na mesa. Seria uma forte mensagem para Bali mostrar que as florestas de pé têm importância - afirmou.
A reserva de floresta tropical de Iwokrama, na região central do país, é sempre apontada como um modelo para o que poderia ocorrer por toda a Guiana. A reserva foi ofertada à Comunidade Britânica em 1989 como uma amostra positiva de como uma floresta tropical poderia ser manejada de forma a prover tanto benefícios ecológicos quanto econômicos. Cientistas estimam que ela abrigue 120 milhões de toneladas de carbono, um volume equivalente ao de emissões anuais do Reino Unido.
Fonte: O Globo (no site www.abin.gov.br)
Por:Daniel Howden
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