O Brasil no Panorama Internacional da Reciclagem
Mais uma vez, o Cempre apresenta o quadro da reciclagem no Brasil em comparação com outros países. “Os dados mostram que o Brasil continua se empenhando para aprimorar a reciclagem e, por isso, seu desempenho já é bem superior para alguns tipos de resíduos”, avalia André Vilhena, diretor do Cempre.
Confira os números.
DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS
País
Aterros
e/ou lixões
Incineração com
recuperação de energia Compostagem
+ Reciclagem
Brasil*1 89% ——– 11%
República Tcheca*2
76% 14% 10%
Espanha*2
62% 6% 32%
França*2
41% 32% 27%
Itália*2
58% 8% 34%
Portugal*2
73% 20% 7%
Reino Unido*2
79% 7% 14%
Hungria*2
92% 6% 2%
Suécia*3
9,7% 46,7% 43,6%
Estados Unidos*4
54,4% 13,6% 32%
Argentina*5
95% ——– 5%
Colômbia*1
95% ——– 5%
Tailândia*6 30% (só aterro) 54% (inclui lixões) 16%
*1 Cempre (2005), *2Eurostat (2005), *3Warmer Bulletin (set/06), *4US Environmental Protection Agency (2005), *5Coordenação Ecológica Área Metropolitana Sociedade do Estado/Ceamse (2005); *6Thailand Institute of Packaging Management for Sustainable Environment/TIPMSE (2004)
GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
URBANOS PER CAPITA (2005)
Brasil*1 0,80 kg/dia
Estados Unidos*2 2,06 kg/dia
*1Cempre, *2US Environmental Protection Agency
O índice nacional de 11% de reciclagem e compostagem de resíduos sólidos urbanos está acima da República Tcheca, Portugal, Argentina, Colômbia e Hungria e chega perto do Reino Unido. Em 2005, o volume reciclado foi de 5,7 milhões de toneladas, 760 mil toneladas a mais do que em 2004. Nesse total, as participações de alumínio, embalagem longa vida e papel cresceram, enquanto vidro e aço tiveram pequenas quedas.
O Brasil, a exemplo de países europeus como República Tcheca, Espanha, França, Portugal e Suécia, tem apostado no desenvolvimento de embalagens mais leves que resultem em menos resíduos, na diminuição dos componentes das embalagens e no aumento da eficiência dos sistemas de coleta seletiva para desenvolvimento do mercado de recicláveis. Vêm sendo feitos também investimentos significativos em pesquisa e tecnologia para aprimoramento da reciclagem.
RECICLAGEM DE EMBALAGENS DE AÇO
Brasil*1 29% (só latas)
Alemanha*2 86% (só latas)
Espanha*2 68% (só latas)
Finlândia*2 55% (só latas)
Itália*2 63% (só latas)
Noruega*3 59% (incluindo outros metais)
Portugal*3 Meta de 15% - alcançado 23%
(incluindo outros metais)
Estados Unidos*4 63,3% (só latas)
Bélgica*5 92% (só latas)
*1Cempre (2005), *2Recycling International (dez/06), *3Pro Europe 2006-2007, *4US Environmental Protection Agency (2005), *5APEAL – the Association of European Producers of Steel (2006)
O índice brasileiro vem crescendo e já supera o de Portugal. Na Europa, de acordo com o APEAL – the Association of European Producers of Steel, o índice de reciclagem de embalagens de aço em 2006 foi de 63%. Essa análise engloba 30 países e o maior crescimento ocorreu na Bélgica. Um fator chave para esse sucesso é a inserção do aço (na forma de latas de alimentos, bebidas, aerossóis etc.) nos sistemas de coleta doméstica porta a porta.
RECICLAGEM DE ALUMÍNIO
Brasil*1 96,2% (só latas)
França*2 25%
Noruega*2 59% (incluindo outros metais)
Portugal*2 Meta de 15% - alcançado 23%
(incluindo outros metais)
Polônia*2 Meta de 30% (alcançado 87%)
Estados Unidos*3 44,8% (só latas)
Reino Unido*4 41% (só latas)
Argentina*5 88,1% (só latas)
*1Cempre (2005), *2Pro Europe (2006-2007), *3US Environmental Protection Agency (2005), *4Valpak/Pro Europe (2006), *5Associação Brasileira do Alumínio/Abal (2005) e Abralatas
OBrasil desponta na frente de muitos países industrializados e também da Argentina. De acordo com o levantamento da revista Recycling International (de setembro de 2006), a Europa Ocidental – inclui nações como Áustria, Portugal, Irlanda e Reino Unido - reciclou 52% de suas latas de alumínio (o equivalente a 25 bilhões de latas). A maioria dos países conseguiu um pequeno aumento na reciclagem, sendo que os maiores saltos ficaram com a Áustria e Portugal.
RECICLAGEM DE PLÁSTICO
Brasil*1 20%
Espanha*2 25,9
França*2 20%
República Tcheca*2 Meta de 15% (alcançado 39%)
Bélgica*2 Meta de 15% (alcançado 31,7%)
Noruega*2 27%
Polônia*2 Meta de 18% (alcançado 30%)
Suécia*2 Meta de 30% (alcançado 20,4%)
Portugal*2 Meta de 15% (alcançado 32%)
Luxemburgo*2 Meta de 15% (alcançado 38,35%)
Estados Unidos*3 5,7%
*1Plastivida (2005), *2Pro Europe 2006-2007, *3US Environmental Protection Agency (2005)
RECICLAGEM DE PET
Brasil*1 47%
Estados Unidos*2 22%
México*2 Menos de 10%
Argentina*3 21,7%
Alemanha*4 32%
*1Cempre (2005), *2Associação Brasileira da Indústria do PET/Abipet (2004), *3Associação Brasileira da Indústria do PET/Abipet (2005), *4Recycling International (out/06)
O Brasil é um dos maiores recicladores de PET do mundo – em 2005, reciclou 174 mil toneladas. A revista Recycling International (de outubro de 2006) noticiou que a Europa recuperou 790 mil toneladas de PET no mesmo período. A Alemanha comandou o crescimento e outros bons níveis ficaram com a Polônia e a França. Apesar da ampla capacidade de reciclagem de PET na Alemanha e países vizinhos, mais de 100 mil toneladas de garrafas recolhidas pelo varejo alemão só foram recicladas na China. Vale informar que 57% dessas embalagens PET são transformadas em fibra de poliéster.
RECICLAGEM DE PAPEL/PAPELÃO
Brasil*1 46,9% só papelão – 77,4%
Argentina*2 44,7%
México*2 41,9%
Malásia*2 38,7%
China*2 30,4%
Espanha*3 68,6% (incluindo cartonado
para bebidas)
Polônia*3 Meta de 42% (alcançado 65%)
Estados Unidos*4 50*3 só papelão – 76,6%*4
*1Cempre (2005), *2Associação Brasileira de Celulose e Papel/Bracelpa (2006), *3Pro Europe 2006-2007, *4US Environmental Protection Agency (2005)
O Brasil supera o índice de reciclagem de papelão dos Estados Unidos e de diversos outros países na reciclagem de papel, sem contar que tem espaço para atingir os níveis dos países europeus que são os campeões globais na reciclagem de papel. De acordo com dados da Recycling International (de outubro de 2006), na Europa, um esforço de 12 setores já trabalha para atingir um índice de 66% até 2010. Mais da metade dos papéis usados pelos europeus é produzida a partir de papel reciclado. As fábricas chinesas de papel são importantes compradoras. O consumo das fibras de papel divide-se principalmente entre: China (31%), Europa Ocidental (25%) e América do Norte (21%). No setor de papelão, os Estados Unidos reciclaram 24,7 milhões de toneladas em 2005, enquanto o Brasil reaproveitou 2,24 milhões de toneladas para o consumo aparente de 2,89 milhões de toneladas, o que explica a taxa de 77,4%.
RECICLAGEM DE VIDRO
Brasil*1 45%
França*2 71%
República Tcheca*2 80%
Noruega*2 89%
Polônia*2 Meta de 29% (alcançado 38%)
Suécia*2 Meta de 70% (alcançado 96%)
Portugal*2 Meta de 15% (alcançado 1%)
Estados Unidos*3 21,6%
*1Cempre (2005), *2Pro Europe 2006-2007, *3US Environmental Protection Agency (2005)
O Brasil se mantém em um nível intermediário comparado com França, República Tcheca, Noruega, Suécia e Alemanha, mas, ainda assim, se posiciona melhor do que Portugal, Estados Unidos e Polônia. A Suécia tem investido em novas aplicações para o vidro reciclável.
RECICLAGEM DE EMBALAGENS LONGA VIDA
Brasil* 23%
Peru* 5,5%
Colômbia* 6,3%
Argentina* 6,8%
China 3%
*Tetra Pak 2006
O Brasil reciclou no ano passado 46 mil toneladas de embalagens longa vida pós-consumo. Por sinal, o país deu um grande impulso para a reciclagem desse material ao desenvolver uma tecnologia que trabalha com o processamento composto de plástico e alumínio em um forno de plasma. A primeira experiência ocorreu em Piracicaba (SP) e deverá *Tetra Pak 2006 erá ser levada para Espanha e Bélgica.
Fonte: www.cempre.org.br
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