Papel artesanal gera empregos em Garça
Mais um artigo interessante e de grande valia, enviado por mais uma de nossas eco-correspondentes: Ana Kajiki.
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No interior de São Paulo, na cidade de Garça, a 400 km da capital, uma artista plástica faz sua própria revolução em uma empresa de papel artesanal feito a partir de resíduos agrícolas. Há 23 anos, Renata Telles “materializa poesia”, como define o trabalho do papeleiro. Ela retira de sua propriedade rural, uma fazenda cafeeira de 560 hectares, a matéria-prima para mais de 65 tipos de papel.
Renata é defensora de um tipo de agricultura consorciada que integra culturas diferentes ao cafezal para a preservação do solo, como o plantio de feijão, cebola, mamão, banana e milho. Todos os resíduos agrícolas, isto é, folhas, caules, raízes e outras partes não aproveitadas pela agroindústria, vão para as oficinas da empresa Moinho Brasil onde as fibras vegetais são processadas e transformadas em papéis de texturas, tamanhos e usos diferentes. O papel de fibra de bananeira, em sua versão transparente e pura, é utilizado em restaurações de documentos históricos; enquanto um grosso e resistente papel de cebola pode ser usado na confecção de móveis ou na encadernação de livros.
A aplicação do papel artesanal no mercado é muito variada e está em sintonia total com os princípios de desenvolvimento sustentável. Na parede de uma das salas da empresa, encontra-se a essência do trabalho de Renata, resumida em uma frase do pacifista Gandhi: “Você precisa ser a mudança que deseja ver no mundo”. Segundo a artista plástica, o papel que produz é apenas uma das etapas de um projeto maior de reeducação do homem com a terra em que vive. “É preciso investir nas pessoas do campo para que elas saibam tirar melhor proveito da terra, sem agredir o meio em que vivem”, afirma a papeleira.
Na fazenda Nossa Senhora de Assunção, o processo começou com uma análise dos potenciais de cultivo alternativo na área e com a restauração dos mananciais. O emprego dos resíduos agrícolas na confecção de papel artesanal e na reutilização como adubo tornou a produção 100% aproveitável. O cuidado com o meio ambiente tornou o solo mais fértil e aumentou a produção de café da fazenda em 45,5% ao longo das duas décadas de experimentos, através de formas menos agressivas de cultivo. A empresa expandiu e, além do papel artesanal, passou a comercializar produtos e brindes coorporativos feitos desse material, gerando novos empregos.
A identificação de um mercado crescente para o papel artesanal, aliada à vontade de ajudar a comunidade de Garça, levou Renata a firmar parceria com a Associação Patrono Juvenil Gracence. A entidade não é governamental e, entre outras atividades, promove oficinas de capacitação para 101 famílias do bairro Vila Araceli, localizado na periferia da cidade. Há dois meses, Renata ensina a sete mulheres a arte de encadernar papéis artesanais. Após o curso, elas formarão uma oficina dentro da Associação e, no futuro, uma cooperativa poderá surgir. O resultado é imediato, segundo Regina Carvalho, presidente da associação: “elas saem motivadas, com espírito empreendedor, pois aprendem uma nova profissão”.
A grande procura pelos papéis alternativos é uma tendência sem retorno, garante Renata. “Com a informática o papel ganha um sentido diferente, mais simbólico. Então, não se trata mais de usar o papel de forma desenfreada, mas de fazer um uso consciente e torná-lo um objeto especial, de valor pessoal”, explica.
Por: Ana Kajiki
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Comentários
oi gostei muito da noticia, estou muito precisando de trabalho, pois estou indo para cidade de garça e não tenho empregom pode me indicar uma fonte de trabalho,? grato jose paulo.
Fiquei muito feliz em saber dessa noticia do uso do pape l reciclado .Gostaria de receber maiores informacoes sobre todo processo.Mesmo se tiver algum custo. Trabalho com arte tenho muitas retalhos de papeis. Agradeço atencao . Cilea.
Eu gostaria de acrescentar que a fabricação de papel artesanal pode ser uma grande aliada da apicultura. Se este pessoal de garça tiver como entrar em contato comigo, gostaria de fazer uma proposta muito interessante para eles: Uma paceria para fabricar caixas de captura de abelhas que tem que utilizar fibras de capim cidreira e borra de própolis.
Poxa muito legal!! Eu queria trabalhar com isso,mais não sei se tem aqui em São Gonçalo e em Niterói.

Um belo exemplo de cidadania, uma alternativa de desenvolvimento sustentável,”custo baixo” e retorno significativo principalmente ao meio ambiente..
adorei a iniciativa
Parabéns..
Sds
Everson Prado
Universitário – 26 anos