Análise sobre a Vingança de Gaia

A escritor e filosofo Paulo Madeira trouxe para nós ótimo comentário sobre o livro A VINGANÇA DE GAIA, publicado pela editora Intrinseca. Para quem não sabe este livro é uns dos mais comentados sobre o Aquecimento Global. Leia abaixo o comentário:
Trata-se do livro do cientista inglês James Lovelock, 87 anos, velho e respeitado, embora controvertido, que vê a Terra como um ser vivo, essência de sua “Hipótese Gaia”, da década de 1960, feita para a Nasa.
Para ele, a “vingança” do planeta (perspectiva real e, agora, iminente) serão os graves transtornos climáticos futuros, já inevitáveis, para os quais tantos outros cientistas vêm advertindo, com insistência. Haja vista as conclusões do painel intergovernamental (IPCC) de 2/2/07 em Paris.
Veja o que diz Lovelock no livro sobre o que pode vir a nos acontecer neste Planetinha que, apesar das Eras Glaciais, vem mantendo há milênios as temperaturas, o tempo, o clima, etc, propícios à prosperidade dos seres vivos.
Lovelock afirma que assistiremos em poucas décadas a redução drástica de áreas de produção de alimentos e outros produtos vegetais e animais, em conseqüência direta da elevação das temperaturas, uma vez que elas atingirão níveis insuportáveis para os seres vivos.
Esta ameaça, diz ele, virá de emissões de gases de estufa, e simplesmente “quebrará” a capacidade do planeta de, por auto-regulação, continuar mantendo os nívéis de calor dentro de limites adequados à vida.
É uma ameaça, inédita agora, todavia, já bem visível no ecossistema global. Até aqui o sistema auto-regulador de Gaia vinha mantendo os níveis de temperatura favoráveis à vida, graças às trocas entre os elementos físicos, químicos, biológicos e humanos.
Estes elementos todos, (humanos e demais seres vivos, inclusive vegetais) adaptaram-se, mas só podem suportar e manter a vida dentro dos limites de temperaturas mínimas, ótimas e máximas, bem como só suportam os índices de salinidade, acidez, oxigênio etc dentro dos parâmetros adequados.
Estas são obviedades que Lovelock apenas realça para lembrar que, fora desses limites, a vida não se sustenta. Depois, ele mostra o desconcertante de, daqueles “elementos” todos, justo o que se diz feito à semelhança de Deus, o “elemento” humano, o inteligente, justo ele é que está desmantelando esses limites, está causando o desequilíbrio, e daí, o desastre.
E adverte: para deter isso, precisaremos PARAR DE QUEIMAR combustíveis fósseis (que geram o efeito estufa), porque já estamos ultrapassando o ponto SEM RETORNO.
Sem isso, (que não será fácil) levaremos o Planeta de volta ao “estado quente” do período eoceno (anterior ao homem). E por isso, na marcha que vamos, desertificaremos as atuais florestas tropicais, secaremos rios e lagos, etc.
O panorama será chuva escassa, calor intenso e secura.

Lovelock fundamenta-se em várias observações:
Há um equilíbrio ecológico entre animais e vegetais que se faz basicamente por competição e predação.
Isto evita, contém ou retrocede, naturalmente, as “explosões populacionais” deles.
Entre nós, humanos, porém, esta contenção natural foi burlada de pouco tempo para cá, século XX com o advento do progresso, antibióticos, vacinas, alimentos, longevidade, e todavia, em muitos países, a manutenção de elevados índices de natalidade.
Por isso é que, em toda a História do Homem só logramos atingir UM BILHÃO de indivíduos por volta do ano 1800. E agora, já em apenas dois séculos, “pulamos” para mais de SEIS BILHÕES;
E, como se o planeta pudesse comportar saudavelmente tanta gente, no último meio século, partimos para um desenfreado e extravagante consumismo, que agora sabemos insustentável!, mas prosseguimos com ele!
E há os que consomem pouco per carpita, mas que são numerossísimos. E assim estamos fazendo crescer geometricamente os fatores que levam àquela supra-referida ameaça inédita. A “quebra” da auto-regulação espontânea, por “Gaia”, das temperaturas dentro dos bons níveis próprios para sustentar a vida e sua diversidade.
Esta “quebra”, por resultar em grande elevação das temperaturas, derreterá geleiras e causará a expansão dos volumes dos mares, pela dilatação da água mais aquecida.
Estas duas coisas juntas (ou separadas) elevarão um pouco os níveis dos oceanos, o suficiente para eles invadirem os litorais baixos, progressivamente. Não virão de repente paredões de água, mas muitíssimas cidades ficarão aos poucos inabitáveis por inundações permanentes.
Assim ocorrendo, é previsível que suas remoções para outros lugares serão caras, problemáticas e conflituosas. Em muitos casos com “refugiados climáticos”, este novo “ingrediente” que, por incalculável abundância, sabe Deus que conflitos produzirá.
E agora, veja que ironia macabra, porém realística: tais transtornos só serão atenuados se acontecer a esperada, por Lovolock, aniqüilação de boa parte das populações do Planeta, por fome! E seguramente, por guerras.
E se, para os que sobrarem, forem suficientes os ex-territórios gelados, posto que os hoje verdejantes e amenos estarão desertificados e sob inóspitos calor e secura.
Já esses oásis, sem tanto calor e secura e com chuvas regulares, produzindo alimentos etc., poderão abrigar os que remanescerem.
Mas, será que ainda civilizados? Ou “bárbaros” modernos, sotisficados, detentores de armas e meios, por enquanto, só vislumbrados de dominação, subjugação e eliminação?
Agora, fique atento, também, para os anunciadores das “tribulações” apocalípticas. Precisaremos estar realistas, para não dispersarmos energias (mentais, emocionais, musculares e também elétricas etc). Diante dessas possíveis paranóias, se você quiser um contraponto a isto, leia o livro “Incertas Certezas”, e em breve a sua continuação com antídotos a credulidades temerosas.
Outras lembranças e sugestões científicas de Lovelock, um legado para nós, de bons conselhos do simpático ancião não apenas competente, mas realista.
A atmosfera suporta (e absorve) certa quantidade de dióxido de carbono, mas há um limite! Hoje, estamos despejando nela quantidades muito além desses limites. Tanto que, se solidificado, daria uma montanha de 1,5km de altura e quase 20 km de circunferência na base, a cada ano! Mas fica na atmosfera! É um resíduo maligno, por que está interferindo na auto-regulação das temperaturas, ao provocar o efeito estufa.
Por isso, é imperioso parar de envenenar a atmosfera com dióxido de carbono. Só que para tanto, precisamos trocar os combustíveis poluentes (fósseis) por matriz energética limpa e paralelamente com isso, devolver à natureza as terras (“habitat” e espaço vital) de animais e vegetais nas proporções ecologicamente adequadas ao necessário equilíbrio. “Tomar do Planeta apenas o nosso junto quinhão.”
Lovelock vê a Terra como um ser vivo e acha que, sem essa metáfora em nossos corações e mentes, não mudaremos. E diz que só não pereceremos, se provermos as condições para o clima e a química da Terra voltarem a se equilibrar.
Mas precisaremos mudar (e logo!) algumas coisas. Abdicar de certos confortos como: Cidades não densas, com muitos transportes e sem locomoção a pé. Criação de gado (por ocupar terras demais e produzir o poluente metano). Alimentos deverão ser sintetizados, (ainda utopia). Energia deve ser limpa, principalmente da fusão nuclear, que poderá ser abundante e barata. Mas também não está dominada.
A sociedade humana precisará consumir recursos e eliminar resíduos em equilíbrio saudável com o meio-ambiente. Na transição para o futuro, fazer a maciça substituição de combustíveis fósseis pelos desfissão nuclear, que é limpa, barata e factível, deixando resíduo (radioativo), mas apenas 16m3 anuais, facilmente soterráveis em cemitério próprio, protegidos de aproximação de leigos, e assim, inofensivos.
Finalmente, adverte para que não reencenamos o avanço de Napoleão sobre Moscou em 1812. Ele, por imprudência e ambição, não bateu em retirada em tempo e pereceu no frio. Nós, se não agirmos, também, em tempo, poderemos perecer no calor.




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Comentários

O protocolo de Kioto, visava justamente o refreamento das emissões de CO2, mas ainda não há interesse suficiente em relação às potências economicas em mudar seus padrões. Ainda mais agora que o petróleo está ficando escasso. Se não há vontade política, os cidadãos devem fazer sua parte, afinal é da atitude de cada um é que planta a mudança. Se eu sinto os impactos e se eu tenho o mínimo de compaixão e responsabilidade pela vida, devo fazer minha parte. Basta observar à volta que encontrará inúmeras maneiras de colaborar. E, como Lovelock, eu também não estou tão otimista, mas talvez seja preciso este cáos para revermos nossas condutas consumistas, individualistas e virar a página para uma nova percepção de mundo!

infelizmente tudo isto que gfoi sitado no livrom já esta aco0ntecendo

Alguns vão dizer que a visão de Lovelock é sombria, pessimista. Outros dirão que é realista. Qualquer dessas assertivas, infelizmente, está rigorosamente correta. O homem é um ser arrogante. Se pudessemos reunir todas as espécies vivas e perguntássemos, num plebiscito, qual deveria ser extinta para o bem da Terra, qual seria a resposta? A ganância e o imediatismo, não necessariamente agregadas a uma postura ideológica específica estão levando nosso planeta para um irreversível abismo….

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