Ecolingüística - uma nova visão sobre linguagem e meio ambiente

Capa do livro EcolingüíticaEm breve será lançado o livro Ecolingüística estudo das relações entre língua e meio ambiente. Esse livro apresenta um conceito ainda não muito conhecido no Brasil. A autor, Hildo Honório do Couto, é um professor da Universidade de Brasília e explica um pouco o que é o livro:

“Ecolingüística é definida como o estudo das relações entre língua e meio ambiente, o que significa que ela toma conceitos da ecologia biológica para construir suas bases epistemológicas. Os dois passos iniciais são, portanto, verificar (1) quais são os conceitos ecológicos mais importantes e (2) quais são seus equivalente nos estudos da linguagem, ou como são aplicados nela, entre eles, os de ecossistema, diversidade, inter-relações e evolução. A ecolingüística encara os fatos da linguagem em sua dinâmica e em suas inter-relações. Seu objeto já vinha sendo investigado por disciplinas parcelares. Ela não veio substituí-las.Tampouco tem a pretensão de estudar tudo. Praticar ecolingüística é continuar fazendo o que já se fazia antes, na área da linguagem, só que se colocando em uma nova perspectiva, holística, integradora. É uma nova postura frente à vida e ao mundo. Numa época de crescente devastação do meio ambiente, causada pelo aumento brutal da população, cada ser pensante tem obrigação de conscientizar as pessoas, a fim de tentarmos frear o processo, em nosso próprio interesse. A natureza é neutra a esse respeito. Uma maneira de assumir a nova postura é cada lingüista continuar estudando sua árvore, sem esquecer que ela faz parte de uma floresta”.
Para o Professor Hildo este novo livro representa o coroamento de uma longa trajetória de vida ligada às questões da natureza, do meio ambiente.

foto_hildo_web.jpgNascido em Major Porto, município de Patos de Minas, Hildo Honório do Couto só foi ver o que é cidade aos 14 anos de idade. Os primeiros anos de vida em contato íntimo com a natureza fizeram com que ele “saísse da roça mas a roça não saísse dele”, como lhe disseram certa feita. Tendo se tornado mestre em lingüística pela Universidade de São Paulo (1973) e professor dessa disciplina na Universidade Estadual de Londrina no mesmo ano, voltou a sua terra em 1974, onde fez detalhado estudo sobre as especificidades da linguagem local. O material recolhido vem sendo utilizado até hoje em sua atividade de lingüista, inclusive no que se relaciona com a temática “língua e meio ambiente”. Do início de 1976 ao início de 1979, Hildo fez o doutorado na Universidade de Colônia (Alemanha), sobre a fonologia do guarani paraguaio, língua mista (jopará) devido ao íntimo contato com o espanhol. Essa questão acabou levando-o para os estudos crioulos, que são outro tipo de língua mista. A relação língua e meio ambiente sempre apareceu, de uma forma ou de outra, em toda a sua produção. Em 1986, ela veio à tona no livro “O que é português brasileiro” (Editora Brasiliense, Coleção “Primeiros Passos”, n. 164)), além de diversos artigos. Em seu pós-doutorado na City University of New York (1997-1998), ele coletou uma série de materiais sobre crioulística e ecoloingüística. No ano de 2002, ele se aposentou, continuando como Pesquisador Associado no Programa de Pós-Graduação em Lingüística da Universidade de Brasília, onde vem orientando diversas dissertações de mestrado e teses de doutorado, todas nas áreas de crioulística e ecolingüística. O fato é que a partir dessa data, ele pôde unir o útil ao agradável, ou seja, sua ligação telúrica com o meio ambiente e a questão da linguagem. Ainda no início de 2000, entrou em contato com a Ecologia Profunda, formulada pelo filósofo norueguês Arne Naess, atualmente com 93 anos de idade. Isso foi reforçado quando, em agosto de 2005, ele começou a praticar tai chi chuan na Praça da Harmonia Universal, na SQN 104/105 (Brasília), sob a orientação do mestre Moo Shong Woo. Os princípios da filosofia subjacente a essa prática, o taoísmo, vieram confirmar tudo que ele já praticava e em que acreditava. Isso pode ser respigado aqui e ali ao longo das 456 páginas de “Ecolingüística: Estudo das relações entre língua e meio ambiente”.
 

Ecolingüística estudo das relações entre língua e meio ambiente, Thesaurus Editora, 456 páginas, previsto para fevereiro de 2007.

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Comentários

Parabéns, esse tema é bem interessante!

A transdisciplinaridade, como a entende a Unesco, constitui desafio para a superação de dualismos resultantes da chamada “fantasia da separatividade”. A lógica do “terceiro incluído”, presente em holopráxis como o tai-chi, aparece em epistemologias e holologias monistas, das quais o taoísmo é apenas uma das vertentes.

Alegra ver a pesquisa acadêmica integrar rigor metodológico e atenção plena e flutuante no momento presente, sempre indivisível. Como dizia o mestre Pai Lin, só se respira no presente.

Aguardamos o presente desse livro.

Paulo Nascentes
Professor de Esperanto da Escola de Extensão/UnB

Um tema, que colocado neste livro que será lançado, importantíssimo para ampliar a nossa “compreensão” acerca do que queremos falar, escrever e representar em nossa comunicação com os outros sobre o ambiente que nos cerca. E este, cada dia mais pressionado pelas atividades humanas que também exclui o outro, pode chegar a um nível enorme de degradação; onde os processos biológicos, ecológicos e ecossistêmicos que mantêm a vida talvez não consiguam regenerá-lo. E aí o fim da vida ou de uma espécie na Terra. Se não muitos conflitos pela utilização dos recursos ambientais. Parabéns pelo livro. Uma grande contribuição à língua, ao meio ambiente e a proposta de uma nova civilização que começa a ser “pensada” a partir do “desenvolvimento sustentável”, esta uma expressão polissêmica que merece outro livro, quem sabe deste mesmo autor de ecolinguística.

É um orgulho ter uma pessoa de renome internacional filho de Major Porto.

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