O direito de ir e vir, pedalando.

Por: Eduardo Tavarez*

Por que não usar mais as bicicletas para ir e voltar do trabalho? Uma situação típica no dia-a-dia dos centros urbanos é o congestionamento no trânsito, que interfere diretamente na locomoção das pessoas e em sua qualidade de vida. A situação, entre outras conseqüências, pode causar aumento da poluição e estresse em motoristas e passageiros, especialmente nos horários de maior circulação de veículos.
O debate sobre como melhorar o trânsito nas principais vias públicas passa por um controle maior do tráfego de carros. A elevada quantidade de veículos em circulação se deve à preferência dada ao transporte rodoviário: só na cidade de São Paulo, por exemplo, a frota de automóveis ultrapassa 5 milhões de unidades. Há carência na oferta do transporte coletivo, o que faz com que muitas pessoas prefiram o deslocamento individual, aumentando ainda mais a quantidade de veículos nas ruas e avenidas.
Propostas para diminuir os congestionamentos e tornar mais ágil a locomoção das pessoas não faltam. É importante destacar que a discussão passa por uma concepção maior, que é a ocupação planejada e a transformação das cidades em verdadeiros espaços públicos voltados para o uso coletivo. Nesse sentido, uma alternativa de transporte, adotada inclusive em algumas capitais estrangeiras, é a bicicleta. Esse é o caso de Amsterdã, na Holanda, que tem uma população de 730 mil moradores para 600 mil bicicletas e que conta com mais de 400 quilômetros de ciclovias.
Mas não é preciso ir tão longe assim. O município de Curitiba tem 120 quilômetros de ciclovias, que ligam 20 parques e bosques da capital paranaense. Estimativas apontam que na cidade, em que vivem 1,7 milhão de habitantes, existe uma frota de 121 mil bicicletas. Outro exemplo é o Rio de Janeiro, que desde a Conferência Internacional do Meio Ambiente (Rio 92) adota medidas para incentivar o uso das “magrelas” como uma alternativa de locomoção.
A utilização das bicicletas como um meio de locomoção demanda uma série de ações por parte das administrações públicas, o que inclui a construção de ciclovias (vias exclusivas para ciclistas) e de ciclofaixas (faixas para circulação de bicicletas nas vias de tráfego viário). Há ainda outras ações necessárias para garantir a segurança dos ciclistas, como a colocação de sinalização específica e a criação de estacionamentos e a fixação de rotas adequadas para circulação, o que significa evitar trechos acidentados e irregulares. Além disso, é importante realizar campanhas de educação no trânsito para evitar a ocorrência de acidentes envolvendo motoristas, pedestres e ciclistas.
Estudo elaborado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela São Paulo Transporte S.A. (SPTrans) aponta que dos 23,4 milhões de viagens diárias na capital paulista, 130 mil são realizadas com o uso de bicicletas. Os deslocamentos mais numerosos ocorrem a pé (8 milhões) e por automóvel (5,1 milhões). O levantamento mostra ainda algumas das vantagens da bicicleta como meio de locomoção: baixo custo na aquisição e manutenção, reduzido impacto ambiental, contribuição à saúde do usuário, agilidade no deslocamento para distâncias de até 5 quilômetros e menor interferência desse meio de transporte no espaço público da cidade. Apesar disso, o uso da “magrela” no país ainda é reduzido. Segundo dados do Ministério das Cidades, as bicicletas são usadas em 7% dos deslocamentos urbanos e metropolitanos no território nacional.
Cada vez mais fica clara a necessidade de se viabilizar meios de transporte que representem uma alternativa para a locomoção das pessoas nas grandes cidades, de modo a desmontar a lógica predominante hoje em dia de que os centros urbanos devem privilegiar o transporte viário. Um exemplo disso é o município de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que inaugurou recentemente a primeira faixa exclusiva para bicicletas, próxima ao Aeroporto Internacional de Cumbica. A iniciativa servirá de teste para a formação de um plano cicloviário, que prevê a criação de novas pistas exclusivas, a partir de sugestões da própria população.

(*) O autor é gerente da Unidade de Negócios Bicicleta da Pneus Levorin.
E-mail: levorin@levorin.com.br

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Comentários

Com certeza essa seria uma ótima saída para o desafogamento do trânsito em várias capitais brasileiras. O que precisa ser lembrado é que, ao contrário dos países europeus, o Brasil é um país tropical! O que desfavorece o uso de bicicletas. A parcela da população que usa as magrelas como meio de transporte o faz por que esse é o único meio que essas pessoas têm, geralmente.

Muito Boa esta ideia de todos usarem a magrela
Nas a minha duvida e da legalidade, quando vou e volto ao trabalho fazendo uso da bicicleta, ja que recebo vale transporte !

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