Experiência na Amazônia vira modelo mundial para pesquisas

Um projeto científico iniciado há 35 anos em plena Floresta Amazônica gera frutos ao redor do planeta. Um experimento milionário desenvolvido por uma equipe internacional na ilha de Bornéu, na Ásia, é a mais recente pesquisa que replica e expande o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), resultado de uma cooperação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Smithsonian Institution, dos Estados Unidos.

A história do experimento na Amazônia concebido pelo ecólogo americano Thomas Lovejoy e dos projetos “herdeiros” está detalhada em uma reportagem de quatro páginas na edição de 18 de abril da revista Nature, assinada pelo jornalista Jeff Tollefson.

“Trata-se de um panorama admirável do trabalho com os fragmentos florestais e de seus vários benefícios, como por exemplo o treinamento de estudantes de pós-graduação e a inspiração para outros projetos de pesquisa sobre fragmentação”, disse Lovejoy à Agência FAPESP.

Professor da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, Lovejoy recebeu em 2012 o Blue Planet Prize de 2012, considerado o “Nobel do Meio Ambiente”. Ele foi o responsável pela introdução do termo “diversidade biológica” na comunidade científica.

De acordo com o Inpa, o PDBFF, que continua em andamento, tem uma dupla missão: “determinar as consequências ecológicas do desmatamento e da fragmentação de florestas sobre a fauna e a flora na Amazônia e transferir a informação gerada a diferentes setores da sociedade para favorecer a conservação e o uso racional dos recursos florestais”.

A reportagem na Nature detalha como Lovejoy montou o experimento em uma área de aproximadamente mil quilômetros quadrados ao norte de Manaus, com a colaboração de pecuaristas da região. Dentro desse perímetro, ele e sua equipe e um grupo de pesquisadores brasileiros delimitaram 11 trechos de floresta de 1, 10 e 100 hectares. O WWF também apoiou a pesquisa, que hoje recebe verba da National Science Foundation, dos Estados Unidos.

Após a análise da fauna e da flora dos locais demarcados, entraram em cena as serras elétricas e o fogo. Tudo o que estava de fora dos quadrados foi abaixo. Dentro deles, a floresta permaneceu intacta. Com isso, os cientistas puderam estudar no curto e no longo prazo o que acontece com os animais e as plantas quando as florestas são isoladas.

“Os efeitos se espalharam como um câncer para dentro da área não cortada”, lê-se no artigo. “Grandes árvores morreram. Os macacos-aranha foram embora, assim como as colônias de formigas-de-correição e muitos dos pássaros que delas dependem.”

“Ao documentar mudanças generalizadas nos fragmentos de floresta, Lovejoy e seus colegas forneceram os primeiros dados brutos que os conservacionistas precisavam para promover a preservação de áreas extensas de floresta intacta”, continua a reportagem. Na década de 1970, os ecologistas debatiam se era melhor proteger grandes áreas contínuas ou hotspots de biodiversidade menores.

Em 1996, o pesquisador americano Bill Laurance, então cientista no Smithsonian, foi convocado por Lovejoy para trabalhar com os dados produzidos pelo experimento. No ano seguinte, Laurence e sua equipe relataram perda de até 36% da biomassa nos primeiros 100 metros dos fragmentos de floresta intacta em um período de isolamento de 10 a 17 anos. Os cálculos sugeriam que a perda de biomassa ao redor dos limites das florestas decorrente da fragmentação poderia produzir até 150 milhões de toneladas de emissões de carbono anualmente.

A experiência, segundo a revista, também apontou para uma possível solução: a criação de corredores selvagens a partir florestas secundárias, crescidas nas regiões em que os pastos foram abandonados, permitindo a circulação dos animais.

As pesquisas não pararam e continuam até hoje. Quantas espécies nas ilhas de floresta intacta estão fadadas à extinção? As variações rápidas nas populações de insetos e outros animais provocam mudanças no longo prazo na dispersão de sementes e na diversidade da fauna? Qual papel o aquecimento global terá? – são algumas perguntas que, segundo a reportagem, permanecem sem resposta.

O texto da Nature pode ser lido em: www.nature.com/news/forest-ecology-splinters-of-the-amazon-1.12816 

Publicado originalmente pela Agência Fapesp

Bolsas para brasileiros em Harvard e MIT

As Universidades Harvard, Stanford, Columbia, da Califórnia, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e outras instituições americanas de ponta vão reservar 1,5 mil bolsas de estudo integral até 2015 para estudantes brasileiros cursarem doutorado completo.

As bolsas serão financiadas pelo governo federal, por meio do programa Ciência Sem Fronteiras (CsF). Apesar do convênio com as universidades ter sido firmado no ano passado, a falta de divulgação da oportunidade gerou até agora pouca procura pelas bolsas. Mesmo exigindo que os estudantes tenham apenas diploma de graduação nas áreas prioritárias do CsF – Engenharia, Tecnologias e Saúde -, além de bom nível de inglês, pouco mais de cem candidatos foram pré-selecionados até o momento. É prevista neste primeiro ano de acordo a seleção de outros 400 estudantes.

As inscrições para início dos estudos em 2014 vão até setembro de 2013 e podem ser feitas pelo site da Laspau: www.laspau.harvard.edu .

Edital para novas Salas Verdes

O Ministério do Meio Ambiente publicou edital que prevê a seleção de 100 novos centros de referência para o desenvolvimento de práticas em educação ambiental – Salas Verdes.Podem participar instituições públicas ou privadas que já desenvolvem atividades relacionadas ao tema.

O prazo para o envio de propostas das novas Salas Verdes vai até o dia 03 de junho.

Atualmente com 300 unidades certificadas em todo o país, o MMA oferece apoio institucional, com disponibilização de publicações e materiais. O projeto selecionado terá a chancela do Ministério do Meio Ambiente de que está de acordo com as diretrizes e os objetivos da Política e do Programa Nacional de Educação Ambiental.

Mais informações: http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao/salas-verdes .

Não faça do seu lixo uma arma

Em meio às toneladas de resíduos domiciliares produzidos diariamente, há materiais que põem em risco a segurança de quem descarta, de quem coleta e do meio ambiente. Saiba onde estão as ameaças e como lidar com elas

Quando um copo quebra, uma lâmpada queima, um medicamento vence, o que você faz? Nem todo mundo conhece os riscos que esses resíduos oferecem e acaba descartando-os sem maiores cuidados. “Só que latas, vidros e pregos, por exemplo, podem ferir a pessoa na hora de colocar o saco de lixo para fora, um pedestre que esbarre nele e o próprio coletor. Já pilhas e óleo de cozinha causam danos ao meio ambiente, pois contêm substâncias que contaminam solo e lençóis freáticos”, alerta a engenheira sanitarista e ambiental Francine Efigenia Breitenbach, coordenadora da Operação de Resíduos de Serviços de Saúde da Loga — Logística Ambiental São Paulo, empresa responsável pela coleta de resíduos domiciliares na região Noroeste e Centro, da capital paulista.

 Confira, a seguir, alguns desses vilões e a maneira correta de descartá-los.

Cuidar do descarte do lixo é cuidar do próximo.

Vidros, palitos de churrasco, pregos, parafusos, latas e talheres são chamados de perfurocortantes e podem causar ferimentos durante o manuseio. No caso dos vidros, há também perigo de estilhaços na hora da compactação pelo caminhão de coleta.

O QUE FAZER? Embrulhe esses materiais em várias camadas de jornal ou coloque-os dentro de uma garrafa pet com tampa – se necessário, corte a garrafa, acondicione os cacos e torne a fechá-la com fita adesiva, como mostra a foto. Ao descartar latas, dobre as tampas com rebarbas para dentro.
Medicamentos e seus frascos, seringas e agulhas Os primeiros contêm substâncias químicas que podem contaminar solo e água – o mesmo vale para os resíduos que se acumulam em blisters, vidros e seringas. Com as agulhas, há risco de perfurações e contaminações.

O QUE FAZER? Leve-os a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a um posto de Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

Pilhas, baterias, celulares, computadores, TVs e lâmpadas eletrônicas possuem substâncias tóxicas, como mercúrio, cadmio, berílio e chumbo. Esses metais contaminam o solo e chegam aos lençóis freáticos. Para o homem, a exposição a eles aumenta o risco de doenças como anemia e câncer.

O QUE FAZER? Encaminhe o lixo eletrônico a uma central especializada. Outra alternativa é pesquisar perto de casa agências bancárias e supermercados que recolham pilhas, baterias e celulares, e casas de materiais de construção que aceitem lâmpadas queimadas.

Óleo de cozinha usado demora a degradar. Jogado em pias e ralos, forma uma película que dificulta a drenagem do esgoto e encarece seu tratamento. No solo, o efeito impermeabilizante dificulta o escoamento da água das chuvas e, em rios e lagos, impede a oxigenação da água.

O QUE FAZER? Leve o óleo usado a um posto de coleta – vários supermercados já oferecem esse serviço.

Papel higiênico, fraldas descartáveis, absorventes, camisinhas, cotonetes, algodão, ataduras e fio dental ficam contaminados após o uso, como explica o engenheiro Clovis Benvenuto, diretor da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP). Por isso, não são recicláveis.

O QUE FAZER? Basta jogá-los na lixeira do banheiro e descartar com os demais resíduos domiciliares. Jamais devem ser destinados para a coleta seletiva.

Matéria com o apoio da  Loga Logística Ambiental de São Paulo S.A.  A concessionária é responsável pela coleta e destinação dos resíduos domiciliares e de serviço de saúde do Agrupamento Noroeste da cidade, que compreende 13 subprefeituras das zonas Norte, Oeste e Centro. Com 1,9 mil colaboradores e uma frota de 212 veículos, coleta diariamente cerca de 6 mil toneladas de resíduos.

Dia da Terra 2013: entenda como surgiu a data e seu significado

O Dia da Terra 2013 – ou, oficialmente, Dia Internacional da Mãe Terra – é uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2009 para marcar a responsabilidade coletiva para promover a harmonia com a natureza e a Terra e alcançar um balanço entre economia, sociedade e ambiente.

“O Dia Internacional da Mãe Terra é uma chance de reafirmar nossa responsabilidade coletiva para promover a harmonia com a natureza em um tempo em que nosso planeta está sob ameaça da mudança climática, exploração insustentável dos recursos naturais e outros problemas causados pelo homem. Quando nós ameaçamos nosso planeta, minamos nossa própria casa – e nossa sobrevivência no futuro”, diz mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Contudo, a história dessa comemoração é bem mais antiga. O primeiro Dia Nacional da Terra ocorreu em meio ao movimento hippie americano, em 1970. Se por um lado a música e os jovens eram engajados, de outro os americanos viviam com seus carros com motor V8 e a indústria despejando produtos poluidores com pouco medo de represálias legais.

A ideia de uma data para marcar a luta pelo ambiente veio do senador Gaylord Nelson, após este ver a destruição causada por um grande vazamento de óleo na Califórnia, em 1969. Ele recebeu o apoio do congressista republicano conservador Pete McCloskey e recrutou o estudante de Harvard Denis Hayes como coordenador da campanha.

No dia 22 de abril, 20 milhões de pessoas nos Estados Unidos saíram às ruas para protestar em favor de um planeta mais saudável e sustentável. Milhares de escolas e universidades organizaram manifestações contra a deterioração do ambiente e engrossaram os grupos ambientalistas. Foi um raro momento que juntou até mesmo democratas e republicanos.

O resultado prático foi a criação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e dos atos do Ar Limpo, Água Limpa e das Espécies Ameaçadas. “Foi uma aposta”, lembra o senador, “mas funcionou.”

Publicado originalmente no Terra.com

Vale a pena ver também o doodle que a google fez hoje