Prêmio Chico Mendes

São Paulo, 18 de dezembro – A educação ambiental abrangente e a preocupação com a sustentabilidade desenvolvidas pela Arteris, por meio do Programa Viva Meio Ambiente, foi reconhecida por um dos mais importantes prêmios ambientais brasileiros, concedido pelo Instituto Chico Mendes. É o resumo do que ocorreu na noite da segunda-feira, 9 de dezembro, no Memorial da América Latina, quando a Arteris recebeu o Prêmio Socioambiental Chico Mendes 2013, na categoria Ação Socioambiental Responsável.

O programa, que tem como objetivo promover a conscientização ambiental de alunos, educadores e comunidade do entorno das rodovias, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população, é realizado desde 2009 pelas concessionárias de rodovias federais controladas pela Arteris (autopistas Régis Bittencourt, Fernão Dias, Fluminense, Litoral Sul e Planalto Sul), nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Compreende disseminar nas escolas participantes a ideia de preservação ambiental e sustentabilidade. Envolve reuniões pedagógicas com professores da rede pública, nas quais os professores recebem material didático e orientações de como desenvolver o Programa nas escolas em que atuam, trocam informações e aprimoram seus conhecimentos sobre o tema, para repassá-los aos alunos.

Os alunos recebem kits com material sobre meio ambiente e participam do plantio de mudas, gincanas e concursos, entre outras atividades. Os assuntos trabalhados anualmente entram na grade de ensino regular e são abordados junto aos educandos, aliando aprendizado e diversão. Mais de 50 mil crianças e adolescentes de 132 escolas públicas já receberam orientações, por meio de mais de 3.200 educadores.

A realização do Viva Meio Ambiente é apoiada pelas secretarias municipais de Educação, diretorias de Ensino e escolas públicas, e o Programa foi considerado pelo Instituto Chico Mendes como “transformador, na medida em que proporciona educação”, além de integrar as demandas oriundas dos “diversos setores que compõem a sociedade, auxiliando na criação e fortalecimento de políticas públicas”.

O Prêmio Socioambiental Chico Mendes faz parte do Programa de Compromisso com a Gestão Socioambiental Responsável (Procert), do Instituto Chico Mendes, e promove a Responsabilidade Social, com exemplos de soluções integradas para o desenvolvimento, justiça social e equilíbrio ambiental no Brasil. O Procert é signatário ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e é considerado um dos maiores reconhecimentos do país quando o assunto é Meio Ambiente e Sustentabilidade. Além do certificado, a Arteris recebeu também o Passaporte de Responsabilidade Socioambiental Chico Mendes e a concessão do uso do Selo Verde da categoria Ação Socioambiental Responsável.

Sobre o Instituto Chico Mendes

O Instituto Internacional de Pesquisa e Responsabilidade Socioambiental Chico Mendes – INPRA é uma organização não governamental sem fins lucrativos. Nasceu em 2004, com a finalidade de promover o desenvolvimento sustentável por meio de ações de educação ambiental, conservação e preservação ambiental, promoção da cidadania e desenvolvimento social, entre outras.

Crônicas do Consumismo, à entrada de dezembro

A culpa cumpre um papel. É o que distingue o resto da população dos psicopatas. Trata-se do sentimento que você tem quando é capaz de sentir empatia. Mas a culpa inibe o consumo. Para sufocá-la, surgiu uma indústria global que usa celebridades, personagens de desenhos animados e música de elevador. Ela procura nos convencer a não ver e a não sentir. Parece funcionar.

Os resultados da pesquisa Greendex 2012  “Consumers Choice and the Environment”, ou “As Opções dos Consumidores e o Meio Ambiente”) mostram que nos países mais pobres as pessoas sentem-se, em geral, mais culpadas com relação aos impactos causados na natureza do que as populações dos países ricos. Os países onde as pessoas sentem menos culpa são Alemanha, Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha, nessa ordem – enquanto Índia, China, México e Brasil são os países onde as pessoas estão mais preocupadas. Nossa culpa, revela o estudo, acontece na proporção inversa ao tamanho dos danos causados pelo consumo. Isso é o contrário do que nos dizem milhares de editoriais da imprensa corporativa: que as pessoas não podem dar-se ao luxo de cuidar da natureza até que se tornem ricas. As evidências sugerem que deixamos de cuidar justamente quando nos tornamos ricos.

“Consumidores em países como México, Brasil, China e Índia”, diz o estudo, “tendem a ser mais preocupados com as questões das mudanças climáticas, poluição do ar e da água, desaparecimento de espécies e escassez de água doce … Por outro lado, a economia e os custos de energia e combustível suscitam a maior preocupação entre os consumidores norte-americanos, franceses e britânicos.” Quanto mais dinheiro se tem, mais importante ele se torna. Meu palpite é que nos países mais pobres a empatia não foi tão entorpecida por décadas de consumo irracional.

Assista ao mais recente anúncio da Toys R Us  nos EUA. Um homem vestido como guarda florestal arrebanha crianças em um ônibus verde em que se lê “Encontre a Fundação Árvores”. “Hoje nós estamos levando as crianças à viagem de campo que mais poderiam desejar”, diz o guarda dirigindo-se a nós. “E eles nem sabem disso.”

No ônibus ele começa a ensiná-las, mal, sobre as folhas. As crianças bocejam e se mexem nos bancos. De repente, ele anuncia: “Mas nós não estamos indo à floresta hoje …” Ele tira a camisa de guarda florestal. “Estamos indo para a Toys R Us, pessoal!” As crianças ficam alucinadas. “Vamos brincar com todos os brinquedos, e vocês podem escolher o brinquedo que quiserem!” As crianças correm, em câmera lenta, pelos corredores da loja, e quase desmaiam enquanto acariciam os brinquedos.

A natureza é um tédio, já o plástico é emocionante. Crianças que vivem no centro da cidade e que levei a um bosque, semanas atrás, contariam uma história diferente; mas a mensagem, martelada com suficiente frequência, acaba por tornar-se verdadeira.

O Natal permite que a indústria global de besteiras recrute os valores com os quais muitos de nós gostaríamos que a data estivesse associada – o amor, a vivacidade, uma comunidade espiritual –, com o objetivo único de vender coisas de que ninguém necessita ou sequer deseja. Infelizmente, como todos os jornais, The Guardian participa dessa orgia. A revista de sábado trazia o que parecia ser uma lista de compras para os últimos dias do Império Romano. Há um relógio cuco inteligente para os que têm familiares suficientemente estúpidos, uma chaleira operada por controle remoto, um distribuidor de sabão líquido por 55 libras [R$ 210]; um skate de mogno (vergonhosamente, a origem da madeira não é mencionada nem pelo Guardian, nem pelo varejista), um “pino pappardelle de rolamento”, seja lá que diabo for isso, bugigangas de chocolate a 25 libras [R$ 96], uma caixa de… barbante de jardim (!) por 16 libras [R$ 61].

Estaremos tão entediados, tão carentes de afeto, que precisamos ganhar essas porcarias para acender uma última centelha de satisfação hedonista? Terão as pessoas se tornado tão imunes ao sentimento de irmandade a ponto de se prontificarem a gastar 46 libras [R$ 177] num pacote de petiscos para cães ou 6,50 libras [R$ 20] em incríveis biscoitos personalizados, em vez de dar o dinheiro a uma causa melhor? Ou isso é o potlatch  do mundo ocidental, no qual gastam-se quantias ridículas em presentes ostensivamente inúteis, para melhorar nosso status social? Se assim for, devemos ter esquecido que aqueles que se deixam impressionar por dinheiro não merecem ser impressionados.

Para atender a essa forma peculiar de doença mental, devemos retalhar a Terra, abrir grandes buracos na superfície do planeta, ocupar-se fugazmente com os produtos da destruição e então despejar os materiais em outros buracos. Relatório da Fundação Gaia  revela um crescimento explosivo no ritmo da mineração: a produção de cobalto aumentou 165% em 10 anos, a do minério de ferro em 180% e, entre 2010 e 2011, houve um aumento de 50% na exploração de metais não-ferrosos.

Os produtos dessa destruição estão em tudo: eletroeletrônicos, plásticos, cerâmicas, tintas, corantes, a embalagem em que nossas besteiras vão chegar. À medida que os depósitos mais ricos se esgotam, cada vez mais terra deve ser rasgada para manter a produção. Mesmo os materiais mais preciosos e destrutivos são sucateados quando um novo nível de dopamina torna-se necessário: o governo do Reino Unido informa que uma tonelada de ouro, embutido em equipamentos eletrônicos, é depositada nos aterros a cada ano, neste país.

Em agosto, uma briga das mais instrutivas inflamou o Partido Conservador. O ministro do Meio Ambiente, Lord de Mauley, pediu às pessoas para consertar suas engenhocas em vez de atirá-las no lixo. Isso era necessário, argumentou, para reduzir a quantidade de aterros, seguindo as diretrizes da política europeia de resíduos. Para o The Telegraph, “as propostas poderiam alarmar as empresas que lutam para aumentar a demanda por seus produtos.” O parlamentar do Partido Conservador Douglas Carswell bradou: “desde quando precisamos do governo para nos dizer o que fazer com torradeiras quebradas?”…

Para ele, o programa de recuperação econômica do governo depende de consumo incessante: se as pessoas começarem a consertar as coisas, o esquema entra em colapso; skates de mogno e chaleiras wifi são respostas necessárias a um mercado saturado; o deus de ferro do crescimento, ao qual nos devemos curvar, demanda que gastemos o mundo dos vivos até o fim dos tempos.

“‘Mas roupas velhas são estupidez’, continuou o sussurro incansável. ‘Nós sempre jogamos fora as roupas velhas. Descartar é melhor que consertar, descartar é melhor que consertar.’” O Admirável Mundo Novo parece menos fantástico, a cada ano.

Publicado originalmente no Outras Palavras 

Exploração de gás de xisto no Paraná preocupa ambientalistas

A introdução do método “fracking” no Paraná para a produção de energia a partir da exploração de reservas de gás que exigem esse método para sua extração preocupa ambientalistas e técnicos da área de energia. O “fracking” ou fraturamento hidráulico (também conhecido pelos nomes de gás de xisto, gás extraído por processo não convencional ou “shale gas”) é considerado um dos processos de produção de energia mais agressivos ambientalmente e está proibido em vários países do mundo. Ele consiste de uma fórmula contendo 609 componentes químicos (alguns deles radioativos) que são injetados no subsolo, sob a pressão de 5 mil atmosferas para fazer o metano se desprender do solo. Antes da injeção desse coquetel químico são realizadas violentas explosões no subsolo para quebrar as rochas sedimentares.

Em um artigo intitulado “Copel ignora riscos ambientais e socioeconômicos do fracking para gerar energia no Paraná”, Zuleica Nycz e Ivo Pugnaloni advertem para os graves problemas ambientais e econômicos que essa atividade pode causar na região. Zuleica Nycz é diretora da Toxisphera Associação de Saúde Ambiental, ex-conselheira do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e representante do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento Sustentável na Comissão Nacional de Segurança Química, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente. Ivo Pugnaloni é engenheiro eletricista, ex-diretor de Planejamento e de Distribuição da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e presidente do Grupo Enercons Consultoria em Energias Renováveis.

Pino Solanas denuncia “fracking” na Argentina

O texto aponta os problemas que estão sendo enfrentados na província argentina de Neuquén, uma região produtora de maçãs que, em função da contaminação dos lençóis freáticos, estão proibidas de entrar na Europa. O mesmo ocorre com produtos de origem animal da região. O cineasta argentino Fernando Pino Solanas fez um documentário para denunciar as consequências do “fracking” no interior da Argentina. “La Guerra del fracking” foi filmado em Neuquén e mostra os efeitos da exploração de petróleo na região por meio do método do faturamento hidráulico. O Papa Francisco I posou para fotógrafos exibindo uma camiseta da campanha contra o “fracking” durante encontro que manteve com Pino Solanas este mês. E anunciou que boa parte de sua próxima encíclica será dedicada a problemas ambientais no planeta.

Zuleica Nycz e Ivo Pugnaloni denunciam que o “fracking”, produção de energia elétrica a partir de depósitos residuais de óleo e gás em poços de curta vida útil, representa “um método devastador para o solo, ar, as aguas superficiais, subterrâneas, que afetará a segurança dos grupos indígenas e das unidades de conservação, ameaçando igualmente e de forma devastadora toda a economia baseada nas atividades agroindustriais no Estado do Paraná”. No dia 28 de novembro de 2013, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou um leilão no Rio de Janeiro envolvendo áreas de 169 mil quilômetros quadrados no Oeste do Paraná, a região mais rica do Estado em termos de agricultura, avicultura e suinocultura. Uma armadilha está sendo preparada para explodir nesta área, que é maior do que o Rio de Janeiro e Pernambuco juntos, adverte o artigo.

Método é proibido por lei na França

O método do “fracking” e seus efeitos sobre o meio ambiente, acrescentam os autores, são conhecidos há mais de 40 anos. Em 2005, o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, valeu-se do clima de terror alimentado a partir dos atentados de 11 de setembro e do fantasma da escassez de energia para editar a Lei das Exceções, que isentou as empresas produtoras que utilizassem o “fracking” de cumprirem qualquer legislação ambiental sobre a qualidade da água e do ar. Esse tipo de isenção, alertam Nycz e Pugnaloni, “já pode ser operacionalizado no Brasil por meio da Lei Complementar 140/2011, que em seu artigo 7º permitiria, segundo a vontade da União, retirar dos órgãos ambientais, tanto do Ibama quanto dos órgãos estaduais, a competência para licenciar esse tipo de processo”.

O artigo aponta ainda que esse método de exploração de gás e petróleo já é proibido por lei na França, na Bulgária, na Irlanda, na Irlanda do Norte e está sendo questionado em praticamente todos os países da Europa. Foi graças à pressão da sociedade, acrescenta, que o primeiro-ministro francês, François Hollande, fez aprovar na Assembleia Nacional uma lei estabelecendo a moratória do “fracking” no país. Na Inglaterra, Romênia, Holanda, Espanha, Canadá, Costa Rica e Estados Unidos também há campanhas e mobilizações em curso com o mesmo objetivo. No caso do Paraná, haveria mais um fator agravante: a área visada para a exploração, num polígono formado pelas cidades de Pitanga, Paranavaí, Toledo e Cascavel, fica situada bem próxima do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do mundo.

Água da torneira pegando fogo

Nos Estados Unidos, assinalam Nycz e Pugnaloni, agricultores de estados como Pensilvânia, Arizona, Ohio e Colorado lamentam o fato de terem caído no canto da sereia que acenou com uma suposta sorte grande de “ter petróleo na minha terra”. Quando passaram a ver seus rios e a água de suas torneiras pegando fogo viram que estavam com um sério problema nas mãos. Um dos efeitos colaterais desse tipo de exploração é a contaminação dos lençóis freáticos e aquíferos com metano. Após as explosões, o gás sobe do fundo da terra para a superfície e mistura-se com a água dos poços das casas. Além disso, os efeitos da ingestão do metano diluído em água podem causar sérios problemas de saúde envolvendo o sistema nervoso central, fígado e coração.

Os críticos do método denunciam que ele já foi responsável por várias mortes e internamentos antes que esses vazamentos do solo para a água fossem descobertos, uma vez que o metano é inodoro, insosso e incolor. O assunto já virou tema de filme também nos Estados Unidos: “A Terra Prometida” ( Promised Land, EUA, 2012), dirigido por Gus van Sant, conta a história de dois funcionários de uma grande corporação da área de energia que desembarcam em uma pequena cidade rural dos EUA, para tentar negociar com os moradores os direitos de perfuração de suas propriedades para a exploração de gás natural. A salvação oferecida pela grande corporação está baseada, porém, em um polêmico processo de extração de gás natural: o “fracking”. O tema parece ter desembarcado definitivamente também ao Brasil.

Publicado originalmente no site Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/Exploracao-de-gas-de-xisto-no-Parana-preocupa-ambientalistas/3/29582

Lançamento da Revista Caititu – aproximando pesquisa ecológica e aplicação

Essa revista é vinculada ao Núcleo de Pesquisa e Extensão em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (NUPECBIO) e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Biomonitoramento, ambos do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia.

Seu objetivo é o de aproximar o conhecimento científico da tomada de decisões na área ambiental, contribuindo para a solução de problemas ambientais brasileiros.

A revista pode ser acessada pelo site http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revcaititu/index

 

Bolsas Funbio e MMA – Biodiversidade para Nutrição e Alimentação

O Projeto Biodiversidade para Nutrição e Alimentação convida instituições de ensino e institutos de pesquisa a apresentarem pré-projetos de pesquisa relacionados à espécies vegetais nativas do Brasil, listadas na Iniciativa “Plantas para o Futuro” e no Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB). O Projeto visa estabelecer cooperação com instituições de ensino e institutos de pesquisa para a compilação de dados de composição nutricional de espécies vegetais listadas na Iniciativa. O

s recursos financeiros serão repassados diretamente pelo FUNBIO aos bolsistas, por meio da celebração de Contratos de Concessão de Bolsas de estudos e pesquisas. As propostas deverão ser enviadas em nome de um Pesquisador Responsável, na forma de pré-projeto, de acordo com roteiro do formulário no documento anexo, a quem caberá a indicação da equipe de bolsistas que serão contemplados pela presente Chamada.

O envio de propostas pode ser efetuado até o dia 21 de fevereiro de 2014 através do e-mail nutricao@funbio.org.br .

O prazo para apreciação da proposta e emissão de parecer será de 15 dias.

Mais informações: Funbio